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Rossi pretende lançar R$ 3,3 bilhões em imóveis em 2010

Fonte: Brasil Econômico - SP

Publicado em: 13/04/2010

O plano da construtora é chegar a 30 mil unidades residenciais até o fim do ano e abrir novas fábricas de pré-moldados.

Para a Rossi, este ano será decisivo - com R$ 1 bilhão em caixa e um banco de terrenos equivalente a R$ 23 bilhões, a empresa planeja lançar cerca de 30 mil unidades residenciais ou R$ 3,3 bilhões. "Temos uma posição financeira consolidada.

Achamos que o jeito mais inteligente de crescer é com parcerias", afirma Cássio Audi, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, referindo-se à joint venture firmada no fim de 2009 com a Capital.

"Nosso ativo está conectado a CDI e, se houver aumento da taxa de juros, nossa dívida não aumenta", assegura.

Como foi 2009 para a Rossi?

Foi um ano bastante complexo. No primeiro trimestre, houve uma redução do crédito, porque ninguém sabia a profundidade nem a extensão da crise econômica internacional. Por isso, reduzimos os lançamentos.

Já o segundo semestre contou com a redução dos juros e com o incentivo do governo. Fomos o primeiro que sofreu e o primeiro que se recuperou.

Nos primeiros seis meses, foram R$ 500 millhões, e, nos seguintes, mais de R$ 1,5 bilhão.

A baixa renda foi o carro-chefe do ano passado?

Sim. Cerca de 47% dos projetos foram voltados para a baixa renda. Nos anos 1990, a Rossi era a maior companhia deste segmento, e a lição que tiramos foi que não podemos colocar todos os ovos na mesma cesta. Por isso, hoje somos a empresa mais diversificada por setor e estamos em todos os estados. Temos banco de terrenos para uns dez anos, com um valor geral de vendas de R$ 23 bilhões.

Como o senhor vê o cenário do mercado imobiliário brasileiro depois das eleições?

Para a Rossi, tanto faz se a Dilma Rousseff ou o José Serra ganhar [a próxima eleição presidencial]. De qualquer jeito, o Minha Casa, Minha Vida vai continuar existindo, o que pode acontecer é mudar o nome, só. O próprio Lula fez isso.

As condições macroeconômicas são uma turbina para o sucesso do programa, mais a continuidade do prazo de financiamento (de 30 anos) e uma prestação que cabe no bolso dos compradores.

Existe risco de esse aquecimento produzir uma bolha como a americana?

Estamos muito longe do superaquecimento dos Estados Unidos. O nosso financiamento chega a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No Chile, a proporção é de 18%, na França, de 32% e na Inglaterra, de 83%. Nos EUA, é muito mais.

E como o mercado de capitais encarou a crise de 2009?

As ações da Rossi tiveram a terceira maior valorização do mercado em 2009, só perdendo para a MMX e Duratex. Foi uma valorização de 389%. Acho que o mercado entendeu que a companhia crescia com eficiência.

E o que esperar da Rossi em 2010?

Nossa perspectiva é lançar quase 30 mil unidades residenciais, o equivalente a R$ 3,3 bilhões de VGV. O maior medo dos investidores não é o lançamento nem a venda dos imóveis, isso eles sabem que as empresas estão fazendo.

O problema é colocar isso em prática: a construção. E a Rossi tem vantagem nisso. Hoje, temos em construção 34,7 mil unidades residenciais. Somos a empresa mais bem preparada do mercado.

E qual é o segredo para isso?

Cerca de 73% do nosso banco de terrenos são de permuta, e deixamos bem claro no contrato que se não há mercado para aquele terreno não somos obrigados a construir ali. Outro segredo é fazer um bom mix de terrenos, e, assim, minimizar os riscos. O mercado imobiliário é cíclico.

E como vocês conseguem atuar em todos os segmentos? Qual é a estratégia para conseguir atingir valores reduzidos dos imóveis para a baixa renda?

O segredo são as casas e apartamentos de pré-moldados. Com esse método construtivo, conseguimos fazer uma casa em menos de um dia e usamos, pelo menos, cinco vezes menos mão-de-obra. Temos hoje três fábricas operando, próximas aos canteiros de obras. Duas delas estão situadas no Rio Grande do Sul e outra em São Paulo.

Dessa forma, a margem por unidade cresce por causa da larga escala e garante a qualidade. Temos parceria com a PUC de Campinas e com a Unicamp para o desenvolvimento de novos materiais de construção civil.

Que materiais são esses?

Um deles é o PEX, que é um cano flexível, que segue em todas as direções e não precisa de junções. Serve tanto para água quanto para esgoto. E hoje não é feito em longa escala.

E vocês têm planos de aumentar o número de fábricas de pré-moldados?

Vamos abrir outras três fábricas este ano: em Brasília, no Rio de Janeiro e em Fortaleza, que são regiões onde temos muitos terrenos. As fábricas podem chegar a produzir 10 mil unidades residenciais, dependendo da demanda. Produzimos também escadas e módulos de janelas, entre outros elementos.

Quanto vocês investiram?

Não posso falar, mas a combinação de investimentos mais a produção chegam a um benefício material de 10% em nossas margens brutas.

Como a Rossi se prepara para eventual falta de materiais?

Somos a única empresa a ter o sistema SAP funcionando, por isso, temos de planejar com dois a três anos de antecedência as nossas obras, e ele integra de forma real. Para os próximos dois anos, 85% dos materiais já foram comprados. Se faltar material, não vai ser para a gente.

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