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Rossi planeja voltar a ser lucrativa neste ano

Fonte: Valor Econômico - SP

Publicado em: 26/04/2013

Leonardo Diniz, diretor-superintendente, diz que 2012 foi um ano de "ajuste da rota e da estratégia da empresa" após período de crescimento acelerado
A Rossi Residencial será uma empresa lucrativa neste ano, segundo o diretor-superintendente da companhia, Leonardo Diniz. Em 2012, a incorporadora teve seu primeiro prejuízo contábil, no valor de R$ 205,72 milhões. Pela frente, a Rossi tem o desafio de começar a gerar caixa e elevar sua rentabilidade. Trata-se, na prática, de implementar as medidas anunciadas, recentemente, em seu plano estratégico.
"Estou super otimista. A Rossi amadureceu muito", afirma Diniz, que está à frente da companhia há um ano e meio.
Segundo o diretor-superintendente, 2012 foi um ano de "ajuste da rota e da estratégia da empresa" após período de crescimento acelerado. No ano passado, a Rossi reduziu o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em 54% ante 2011, para R$ 1,96 bilhão. No segmento econômico, a queda foi de 85%, para R$ 270 milhões. Os distratos (cancelamentos de vendas) somaram quase R$ 1,3 bilhão. No quarto trimestre, a companhia teve margem bruta negativa de 20,9%.
"Não há a menor hipótese de termos margem bruta negativa em 2013", diz o diretor-superintendente. A tendência é de melhora gradual, segundo ele.
As margens da companhia ainda serão impactadas pelos projetos das safras antigas, menos rentáveis. "A rentabilidade começará a melhorar mais no segundo semestre", afirma Diniz. É que, até junho, a Rossi terá volume expressivo de entregas de empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, cujas margens são menores que a dos projetos para média e alta renda.
Desde o fim de 2011, a companhia não aprova o lançamento de projetos que tenham margem líquida inferior a 20%.
Na comercialização, o foco será na venda de estoques. Segundo Diniz, a rentabilidade não será prejudicada nos casos em que forem concedidos descontos para acelerar a comercialização de estoques.
Conforme analistas, o maior desafio da Rossi é a redução de seu endividamento. No fim do quarto trimestre de 2012, a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido era de 123,3%. A companhia tem como meta reduzir essa relação para o patamar de 85% a 95% até o fim de 2013.
Para reduzir a alavancagem, a Rossi vai buscar a melhora do repasse dos recebíveis de clientes aos bancos, por meio da Rossi Fácil, e vender R$ 100 milhões em terrenos. "Nossa maior preocupação é fazer os repasses, porque não estão totalmente no nosso controle. Quanto mais rápido fizermos isso, mais rápido cumpriremos nossos planos", diz Diniz. Atrasos de obras não são mais um problema, segundo ele.
Há a expectativa que a redução dos cancelamentos de vendas contribua para acelerar os repasses. Diniz diz esperar que os distratos correspondam a menos da metade do registrado em 2012, como resultado das medidas tomadas para diminuir a inadimplência.
De acordo com o diretor-superintendente, a companhia vai lançar "muito pouco" no primeiro semestre deste ano. Diniz não informou qual o VGV do primeiro trimestre, mas sinalizou que a empresa lançou algo no período. Os lançamentos ocorrerão à medida que a Rossi avançar rumo à sua meta de geração de caixa. A companhia começará a gerar caixa no segundo semestre.
A Rossi não tem meta de VGV para 2013. Segundo Diniz, os lançamentos poderão ficar um pouco abaixo ou acima dos de 2012. No médio prazo, os lançamentos anuais ficarão na casa dos R$ 3 bilhões. O banco de terrenos da incorporadora corresponde ao VGV de R$ 8,8 bilhões. "Em teoria, não precisamos comprar terrenos por três anos", diz o diretor-superintendente.
A implementação das medidas formalizadas no plano estratégico, como redução do tamanho das operações, foco em número reduzido de praças de atuação e nos segmentos de média e média-alta renda, já tinha começado em 2012.
A empresa aumentou a parcela de obras executadas com engenharia própria e a comercialização de imóveis pela sua equipe de vendas, para reduzir custos e aumentar controles. Não se espera que ocorram ajustes de orçamentos de grandes proporções, conforme o diretor-superintendente. Diniz estima que as despesas gerais e administrativas fiquem em torno de R$ 180 milhões no ano.
A venda de participação nas empresas de loteamento e propriedades comerciais também está no radar. A incorporadora não pretende vender a totalidade da Rossi Desenvolvimento Urbano, mas considera essa possibilidade para a Rossi Commercial Properties, segundo o diretor-superintendente.
O plano estratégico da Rossi inclui incentivos de longo prazo, com remuneração variável dos diretores vinculada a metas de lucro líquido, margem líquida e geração de caixa. De acordo com Diniz, os executivos terão retorno financeiro "muito grande" se a companhia tiver o desempenho esperado. "Sou movido por objetivos", afirmou o executivo. Segundo Diniz, no fim do ciclo de três anos, a empresa poderá pagar mais dividendos.
Embora a meta de geração de caixa do plano estratégico da Rossi tenha sido bem recebida pelo mercado, a mudança efetiva da avaliação de que a companhia foi menos transparente do que deveria em alguns momentos dependerá da entrega de resultados melhores. Essa impressão resulta, principalmente, da divulgação, no início de outubro de 2012, dos balanços da Rossi desde 2009 revisados, com mudança da contabilidade.
Diniz prefere não falar de passado e desconversa quando questionado sobre a percepção do mercado de que falta mais transparência na comunicação da empresa. Conta que quer melhorar esse processo e que se reuniu, recentemente, com os principais investidores da empresa e com analistas. Segundo o novo diretor financeiro e de Relação com Investidores da Rossi, Rodrigo Silva, a partir dos resultados do primeiro trimestre, o formato das divulgações será revisado.

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