Imprensa

Rossi cria marca Ideal para baixa renda

Fonte: Valor Econômico - SP

Publicado em: 26/05/2009

Nova bandeira mira pacote habitacional do governo e foca no público de até dez salários mínimos

A Rossi volta às origens. Dona do Plano 100, a Rossi fez fama como construtora de imóveis econômicos durante a década de 90, mas mudou a rota e enveredou pelo mercado de média e alta renda nos últimos anos. De novo, a companhia segue a demanda - o que a coloca no caminho de volta. Com atraso em relação à concorrência, cria sua marca para baixa renda, a Rossi Ideal, que pode representar perto de 70% dos lançamentos da companhia este ano.

A demora, no entanto, foi, até certo ponto, positiva para a companhia. A nova marca está sendo moldada para atender o público beneficiado pelo programa habitacional do governo. A estratégia da companhia para a baixa renda está sendo toda desenhada de acordo com o pacote "Minha Casa, Minha Vida". Embora a Rossi já tivesse linhas de produtos mais baratos, como o residencial Vila Flora - de casas no interior de São Paulo - apenas parte das unidades se enquadravam no limite máximo do pacote, de R$ 130 mil.

Agora, a companhia pretende atender as famílias com renda de até dez salários mínimos, público que se enquadra no pacote. O foco, porém, será o miolo de três a seis salários mínimos - que devem responder por cerca de 60% a 70% do negócio e onde governo chega a subsidiar até R$ 23 mil. A empresa pretende dedicar 10% do novo negócio ao segmento de zero a três salários mínimos, que responde por 60% do pacote. Nessa faixa, o imposto cai de 7% para 1% e o comprador do imóvel é o governo e não o cliente final, dispensando a necessidade de gastos comerciais e marketing. Mas os preços são estipulados pelo governo e variam de R$ 37 mil a R$ 52 mil dependendo da região.

Segundo Rodrigo Martins, diretor do segmento econômico, a Rossi deve usar parte de duas áreas que possui no Distrito Federal e em Canoas (RS) para destinar às famílias de até três salários. "Nunca exploramos esse nicho porque o risco era grande. Agora que a Caixa Econômica Federal e o governo estão assumindo o risco, não há porque não entrar", diz Cássio Audi, diretor de relações com investidores. "Se o terreno for barato e houver um controle rígido de custos, do processo de suprimentos e do método construtivo, dá para atuar", completa Martins.

Com a Rossi Ideal, a meta da companhia é lançar 15 mil unidades este ano e 20 mil em 2010. Rossi começou o ano trabalhando com três diferentes cenários: Conservador, moderado e otimista. "Depois de abril, passamos ao cenário moderado, cuja previsão é manter o tamanho da empresa igual ao ano passado", diz Audi. Em 2008, a companhia lançou R$ 2 bilhões.

Considerando-se que pretende lançar 15 mil unidades a um preço médio de R$ 90 mil, a baixa renda pode representar R$ 1,35 bilhão. Seria 67,5% de R$ 2 bilhões, caso a companhia repita o desempenho do ano passado. A Rossi divulgou que o segmento econômico responderá por, no mínimo, 50% do negócio, mas no primeiro trimestre, antes mesmo do pacote, já atingiu 68%. Não era ainda exatamente um produto para baixa renda. Do banco de terrenos da companhia, que soma R$ 20,3 bilhões, 41% ou R$ 8,3 bilhões estão no segmento econômico. "Mas estamos em busca de novos terrenos", afirma Martins.

Entre as companhias de capital aberto, várias estão cedendo ao apelo da baixa renda por um único motivo: é nesse segmento que está concentrada a retomada imobiliária. A Cyrela transformou a marca Living em nova empresa. "O mercado, hoje, é muito diferente de três meses atrás. O comprador está pró-ativo", diz Audi.

Corretor Online

Preencha nome e e-mail para iniciar um chat ao vivo com nossos corretores.

CRECI

Vídeo