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Rossi confia na retomada do apetite do mercado para crescer

Fonte: Jornal do Comércio - RS

Publicado em: 21/12/2009

Um dos primeiros segmentos a sucumbir diante da crise econômica financeira que atingiu o mundo a partir de 2008, principalmente nos Estados Unidos - o epicentro desses problemas -, o setor imobiliário comemora no Brasil uma legítima reversão das expectativas. Se no início do ano o cenário era nebuloso, o último semestre de 2009 mostra as empresas apostando em lançamentos, expandindo geograficamente a atuação e conseguindo recuperar o volume de vendas. Entre os principais impulsionadores dessa recuperação está, sem dúvida, o programa Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo federal. Com investimentos de R$ 34 milhões e meta de construir 1 milhão de moradias, o projeto conseguiu rapidamente sair do papel para a prática. Desenhado para atingir famílias que ganham até 10 salários-mínimos, cerca de R$ 4.650,00, também impactou positivamente os negócios da Rossi, uma das principais incorporadoras e construtoras do País. Leonardo Diniz, diretor comercial da companhia, revela que o segmento econômico que adquire imóveis de até R$ 160 mil já representa 50% dos lançamentos em 2009 e deve chegar a 55% em 2010, ampliando a sua representatividade nos negócios da empresa. De janeiro a setembro, a empresa lançou 8.142 unidades no Brasil, sendo 1.565 no Rio Grande do Sul.

JC Empresas & Negócios - Qual a sua avaliação para a retomada dos investimentos no País e do setor da construção civil?

Leonardo Diniz - Este ano está terminando de uma forma surpreendentemente positiva, principalmente se formos pensar nas perspectivas do final de 2008. A crise foi real e começamos o primeiro trimestre muito receosos. Mas, aos poucos, retomamos os lançamentos e, com isso, o clima positivo voltou. O setor imobiliário nunca teve tantas ofertas de financiamentos como tem hoje e isso faz com que a gente projete um crescimento sustentável para os próximos anos. A Rossi recuperou o volume de vendas e esperamos chegar a um total igual ou até melhor que no ano passado. O nosso lucro líquido no terceiro trimestre foi de R$ 61,8 milhões, 73,7% acima do mesmo período do ano passado.

Empresas & Negócios - O programa Minha Casa, Minha Vida foi determinante para essa reviravolta?

Diniz - Com toda certeza. Além do fato de termos uma economia mais robusta do que em épocas anteriores, o Minha Casa, Minha Vida foi o grande catalisador dessa melhora nos negócios. O programa mexeu com o mercado e fez as pessoas voltarem a adquirir seus imóveis. E isso incentivou as incorporadoras, que estavam retraídas, a ofertarem novos produtos. Foi um ano atípico porque começou de forma negativa e está encerrando positivamente. E, claro, com uma perspectiva muito boa para 2010.

Empresas & Negócios - De que forma esse novo cenário econômico impactará os negócios da Rossi nos próximos anos?

Diniz - O setor imobiliário nunca teve tantas ofertas de financiamentos como tem hoje, e isso faz com que a gente projete um crescimento sustentável para os próximos anos. Em setembro, fizemos uma oferta de ações na qual captamos quase R$ 1 bilhão. Foi muito positivo porque percebemos o apetite dos investidores com o Brasil, com o setor e especialmente com a Rossi. Isso nos deixa otimistas para os próximos anos e para darmos continuidade aos lançamentos em todo o País.

Empresas & Negócios – Qual a sua avaliação da proposta feita pela Fiesp ao governo federal de criação de uma linha de financiamento similar ao Minha Casa, Minha Vida para o segmento de imóveis?

Diniz - Sempre que pudermos agregar prazo e condições de pagamento para os consumidores, especialmente do segmento econômico, estaremos incentivando o consumo. Existem algumas questões tributárias que precisarão ser analisadas, mas se for possível chegar a uma equação para isso, o resultado deverá ser muito interessante.

Empresas & Negócios - Nos últimos anos, diversas construtoras abriram capital, mas a procura pelos papéis não foi considerada tão grande. Houve precipitação?

Diniz - O acesso ao mercado de capitais é extremamente favorável e uma fonte de financiamento que as empresas devem levar em consideração sempre. É um dinheiro que, de certa forma, tem menor custo para as corporações, mas, claro, trazendo junto uma série de obrigações. É difícil mensurar quem foi ou não bem-sucedido, mas talvez alguns players foram induzidos a ir ao mercado no momento errado. Houve uma certa euforia e, agora que a poeira baixou, acredito que esse movimento vai acontecer de forma mais madura. O mercado está mais seletivo e isso é mais saudável para todo mundo.

Empresas & Negócios - O setor deve passar por mais consolidações em 2010?

Diniz - Estamos caminhando para ter menos empresas e todas com maior escala. Já tem um grupo de empresas que o mercado elegeu e que tem marca, escala e liquidez. Dentro desse cenário, é bem possível que ainda haja espaço para mais consolidações, embora isso não precise acontecer. Existem construtoras menores, mas com um modelo de negócios compatível com o que precisam para crescer.

Empresas & Negócios - A Rossi está olhando mais atentamente para isso?

Diniz – Estamos sempre analisando novas possibilidades de aquisições e parcerias. A nossa proposição é a de crescer dentro das nossas possibilidades, de forma paulatina. Temos algumas ações sendo pensadas para o futuro.

Empresas & Negócios - O crescimento da Rossi no mercado passa por quais estratégias?

Diniz - Apostamos muito na diversificação tanto da nossa atuação geográfica como do portfólio oferecido ao mercado. Estamos crescendo em todos os estados. Hoje são 65 cidades atingidas e projeção de chegar a 110 em 2011. Nesse momento, os lançamentos da Rossi crescem especialmente no segmento econômico, que nesse ano vai representar 50% dos nossos produtos e, no ano que vem, 55%. Mas estamos ampliando os negócios em todos os segmentos, inclusive nos tradicionais produtos para a classe média e média alta.

Empresas & Negócios - A incorporadora mantém firme as parcerias locais?

Diniz - Sempre procuramos ter parceiros nas cidades onde atuamos, mas sempre contaremos com uma equipe local. No mercado imobiliário, é importante o conhecimento das particularidades dos municípios cujos projetos estão sendo prospectados. Além dos parceiros, mantemos pessoas nossas morando nas cidades em que atuamos.

Empresas & Negócios - Quais os projetos que serão direcionados para o mercado gaúcho em 2010?

Diniz - A nossa regional Sul tem a sua sede em Porto Alegre. E o Rio Grande do Sul ilustra bem essa nossa posição de estarmos em diversos lugares, mas de cultivarmos essa questão de ter a cara local. É como se a Rossi fosse gaúcha. Temos tido excelentes resultados e projetos maravilhosos, como o Central Parque. Já temos vários terrenos comprados e que devem atender à linha da Rossi Ideal. Se o mercado continuar com essa fase boa, em breve teremos novos lançamentos.

Empresas & Negócios - Qual a alternativa para as empresas do setor com o esgotamento das áreas nobres?

Diniz - Eu não diria que há um esgotamento, e sim uma maior dificuldade em encontrar esses espaços. A consequência é a esperada dentro da lei da oferta e da procura. Com menos terrenos sendo ofertados, os preços sobem, deixando os bons espaços disponíveis cada vez mais valorizados. Uma alternativa para isso é, ao invés das ofertas em bairros nobres e mais conhecidos, comprar terrenos em novas áreas e criar valor. Em Porto Alegre, por exemplo, fizemos isso com a Vila Ipiranga, que não era considerada uma região residencial. Fizemos o primeiro lançamento há três anos de casas de alto padrão e o sucesso foi absoluto. Isso nos encorajou a criar o bairro Central Parque. O mesmo movimento estamos fazendo em outras cidades brasileiras.

Empresas & Negócios - Quais as cidades brasileiras onde se concentram as maiores oportunidades para o setor imobiliário?

Diniz – Existem algumas cidades com grande potencial ainda. Porto Alegre, Brasília, Salvador, Curitiba e Belo Horizonte são algumas delas.

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