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Quarto Distrito ressurge com novos projetos

Fonte: Jornal do Comércio - RS

Publicado em: 01/07/2011

A região conhecida no passado de Porto Alegre como Quarto Distrito, que compreende a antiga área industrial próxima ao Centro e ao Guaíba, caiu nas graças da indústria da construção civil. Incorporadoras como a Rossi, uma das precursoras na investida, registram 70% de venda das unidades do complexo Fiateci em sete meses. Mais projetos são esperados, além de melhorias viárias e dos equipamentos públicos. Dirigentes do setor já identificam aumento de preços dos imóveis disponíveis.

A implantação da Arena do Grêmio, que inclui estádio e áreas comerciais e residenciais, e a construção da BR-448, alternativa para a superlotada BR-116, mesmo situadas no Humaitá, também influenciam. O movimento imobiliário na região, que engloba os bairros Floresta, São Geraldo e Navegantes, já teria elevado em até 60% a cotação de terrenos disponíveis. "A região não é mais o que era há um ano e não será mais o que é hoje daqui a um ano", projeta a gerente regional da Rossi, Jaqueline Milstein.

A Secretaria Municipal de Planejamento aponta quase 200% de crescimento em áreas em construção no bairro São Geraldo entre 2009 e o ano passado. Há dois anos, as áreas vistoriadas envolviam 4,1 mil metros quadrados, que pularam para 11,7 mil em 2010. De olho na novidade e no potencial de um empreendimento que alia modernidade e patrimônio arquitetônico, a regional decidiu estender uma campanha promocional de preços que terminaria nesta quinta-feira até domingo. O pacote combina ofertas para quem paga em dia, por exemplo. O resultado é um apartamento, que custaria R$ 234 mil e sai por R$ 211 mil em uma das três torres residenciais. "Estamos atraindo compradores entre jovens e famílias que acreditam no potencial de uma zona que estava esquecida."

Para isso, 12 das 432 moradias seguem o conceito de lofts, que misturam casa com ambiente para trabalho, chamariz para novas gerações ou clientes mais despojados. Para fisgar o público, a incorporadora usa tecnologia 3D para uma visita virtual aos imóveis. "A experiência pode interferir na escolha", aposta a executiva. A empresa se prepara para lançar a última etapa do Fiateci, que terá um shopping horizontal nas antigas instalações da fábrica de tecidos. O projeto de estreia, sugere a gerente regional, deve ser só a primeira intervenção da Rossi. "Estamos estudando outras áreas", diz Jaqueline, evitando detalhes como localização e perfil de construção.

O secretário municipal de Planejamento, Márcio Bins Ely, considera a região nobre e diz que a área só aguardava uma alavancagem. Mudanças no plano diretor da cidade, aprovadas há um ano e que elevaram a altura máxima a 52 metros, também geraram condições, segundo Ely. "Há muita capacidade de adensamento da área a ser aproveitada", ressalta. Para o secretário, somente empreendimentos como o da Arena puxaram a cotação do metro quadrado em 60%. A alteração do perfil da região, para comércio e serviços, segue a trajetória da economia da Capital, avalia Ely.

O vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS), Mauro Touguinha, valida a expectativa dos dirigentes da Rossi e acrescenta outra estratégia para impulsionar e dar mais velocidade aos empreendimentos. "Poderia haver um tratamento tributário diferenciado, como redução do IPTU e maior índice construtivo", sugere o dirigente. Uma das vantagens para formatar empreendimentos é que a região, com infraestrutura já consolidada, tem rede de água, esgoto e energia. "Está tudo pronto, mas está deteriorada. Com as iniciativas, todo mundo ganha."

A redescoberta da região é surpresa até para a entidade. O vice-presidente lembra que no Censo de 2010, monitoramento feito anualmente pelo Sinduscon-RS e baseado em projetos de construtoras responsáveis por 50% da atividade do setor, os bairros São Geraldo e Navegantes não despontavam com tanto potencial. "A necessidade de morar é evidente. Quanto mais longe, mais caro. A região oferece atrativos que compensam". A existência de muitos prédios tombados pelo patrimônio histórico acabou gerando abandono. Projetos como o da Rossi, que são estabelecidos em áreas de antigas fábricas, mostram que é possível conciliar o passado com a necessidade do futuro.

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