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Plano ambicioso pode ser gás para a Rossi

Fonte: Valor Econômico - SP

Publicado em: 18/01/2010

No ano passado, as ações ordinárias (ON, com voto) da Rossi Residencial subiram 312,84%. Entre os papéis do Índice Bovespa, elas perdem só para os papéis da MMX e da Duratex, que subiram 345,85% e 334,72%, respectivamente. Depois de uma valorização dessa magnitude, é normal imaginar que as ações da construtora terão um fôlego bem curto para novas altas neste ano. No entanto, os planos ambiciosos de crescimento da empresa para os próximos dois anos, especialmente no segmento de baixa renda, podem ser um importante empurrão para os papéis. Já para alguns analistas, esses projetos bastante ousados são o principal risco da companhia, uma vez que as chances de um fracasso passam a ser maiores.

A meta original de lançamentos da Rossi para este ano era de R$ 2 bilhões, número que foi revisado para R$ 3,3 bilhões, um aumento de 65% ante a previsão inicial. Já para 2011, a meta é de R$ 4,5 bilhões, uma expansão de 36% em relação aos planos deste ano. Para o diretor financeiro e de relações com investidores da Rossi, Cássio Audi, esse crescimento de lançamentos, da ordem de 125% em dois anos, coloca a empresa num nível diferenciado entre as demais construtoras, o que justificaria as ações passarem por um novo processo de valorização. Audi não arrisca uma projeção, mas faz sentido imaginar que dificilmente os papéis repetirão o mesmo desempenho retumbante do ano passado. Vale lembrar que, mesmo com os 300% de 2009, a ação registra uma queda de 30,65% no acumulado dos últimos dois anos.

Além do crescimento expressivo, a Rossi também vem aumentando a sua atuação no segmento de baixa renda. Motivos não faltam para essa estratégia: financiamento habitacional de longo prazo, o programa governamental Minha Casa Minha Vida e um déficit habitacional gigantesco de mais de 7 milhões de unidades, exatamente no segmento de baixa renda.

Em 2007, os lançamentos para esse segmento representavam 13% do total da Rossi. Em 2008, já significavam 29% e, no ano passado, 50%. A meta para este ano é que esse percentual chegue a 55% e alcance 60% em 2011. "A empresa jamais será 100% voltada à baixa renda, já que queremos aproveitar as oportunidades de todos os públicos", afirma Audi. "No entanto, queremos também surfar a onda do crescimento da classe baixa que está só no começo."

Ele acredita que o fato de a construtora ter participado ativamente do Plano 100 - programa para o segmento popular da década de 90 - é uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes. A captação de R$ 928 milhões na oferta de ações feita em outubro trouxe conforto financeiro à Rossi. Ela possui hoje um endividamento líquido próximo de zero, algo importante para o cenário de expansão que vem pela frente.

A Rossi é uma das cinco empresas de construção dentro do Índice Bovespa, juntamente com Cyrela, Gafisa, PDG e MRV, sendo que as duas últimas ingressaram na carteira que passou a vigorar no começo do mês. Hoje, a Rossi possui 0,86% de peso no índice.

Para o analista da Fator Corretora Eduardo Silveira, a Rossi é uma companhia com fundamentos sólidos e a mais diversificada geograficamente e por faixa de renda da população. Na visão dele, o maior risco é exatamente suas metas ambiciosas de crescimento. "É importante acompanhar a evolução dos lançamentos ao longo do ano para ver se conseguirão cumprir o prometido", diz Silveira. Outra questão a se monitorar é o crescimento na baixa renda, o que pode afetar negativamente a margem bruta da companhia. O analista lembra que a companhia tinha um histórico de comunicação ruim com o mercado, mas que veio melhorando nos últimos dois anos, especialmente com a profissionalização da empresa. Ele tem preço-alvo de R$ 19 para as ações da Rossi, que fecharam na sexta-feira a R$ 14,54.

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