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Início de cobertura: Baixa renda traz potencial de ganho às ações da Rossi

Fonte: Valor Econômico - SP

Publicado em: 02/07/2010

O aumento da participação do segmento de baixa renda nos resultados da Rossi levou a Ativa Corretora a ter uma visão positiva para as ações da incorporadora. A instituição iniciou a cobertura das ações ordinárias (ON, com direito a voto) da companhia com recomendação de compra.

Pelos cálculos da Ativa, o preço considerado justo para cada ação ON da empresa é de R$ 20,06. Esse valor embute potencial de valorização de 50,4% ante o fechamento do papel ontem, a R$ 13,33. Vale lembrar que os cálculos levam em conta as projeções de resultado da companhia e podem não se concretizar.

Em relatório assinado por Armando Halfeld, a corretora ressalta que o pacote Minha Casa Minha Vida motivou a incorporadora a criar uma marca, a Rossi Ideal, para explorar justamente o nicho da baixa renda. A expectativa é de que a participação desse segmento atinja 55% do total lançado pela empresa neste ano, ante 47% em 2009. "Com a consolidação do segmento econômico na incorporadora, a Rossi se aproveita da demanda aquecida de produtos para baixa renda, que se iniciou a partir do Minha Casa Minha Vida e se fortaleceu com a melhora no cenário econômico", diz o texto.

Segundo estudo da Fundação João Pinheiro, instituição oficial de estatística de Minas Gerais, há um déficit habitacional de 7,2 milhões de unidades residenciais, sendo que cerca de 98% deste déficit está concentrado em famílias cuja renda mensal é inferior a dez salários mínimos.

A Ativa pontua, no entanto, que foi apenas depois do pacote Minha Casa Minha Vida que as incorporadoras, em sua maioria, passaram a focar mais fortemente na baixa renda. O programa oferece uma série de subsídios às famílias contempladas pelo programa, além de certos benefícios às incorporadoras que aderirem ao plano. Os subsídios contemplados pelo programa são diferenciados por faixa de renda, fazendo com que famílias situadas no limite inferior da faixa recebam subsídios maiores do que as famílias de maior renda. Além disso, há também um preço limite por faixa e por regiões.

Pesa a favor da incorporadora o fato de a Rossi estar mudando seu perfil de lançamentos, aproveitando-se da demanda forte por unidades de baixa renda. Os lançamentos com valor de até R$ 160 mil responderam por 29% do total em 2008 e por 34% no ano passado.

Segundo os cálculos da Ativa, as ações da Rossi vêm sendo negociadas com um desconto equivalente a 8% pelo critério de P/BV ante à média das concorrentes MRV, Cyrela e Direcional. Essa é uma relação entre o preço sobre o valor de mercado e o valor contábil de uma empresa. Quanto maior é o P/BV, maior é o afastamento entre a cotação de mercado e o valor contábil e, em teoria, menor será a perspectiva de valorização.

O relatório ressalta o fato de a Rossi ter ciclos de construção mais curtos. Além disso, a empresa tem ganhos ao utilizar a linha de financiamento fornecida pela Caixa Econômica Federal, o chamado crédito associativo. Por essa modalidade, é possível obter financiamento de até 100% do valor da obra, para 80% na tradicional. Outro ponto positivo está no repasse ao clientes, que é feito quando 20% da obra estão concluídos. Normalmente, o repasse dos clientes ocorre somente de dois a três meses após a entrega das chaves - dessa forma, a incorporadora recebe 30% do valor financiado pelo cliente durante a obra e o 70% restante após a entrega das chaves.

Entre os riscos, a Ativa cita a capacidade de execução dos empreendimentos, além da elevação acima da expectativa na taxa de juros. Há, ainda, possíveis dificuldades de execução por parte da Caixa do programa Minha Casa. Outra fonte de incerteza é a escassez de mão de obra, o que pode causar pressão de custo para as incorporadoras.

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