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Fortaleza fica mais colorida

Fonte: Diário do Nordeste - CE

Publicado em: 21/11/2011

Eles ainda são discriminados por grande parte da sociedade, mas, aos poucos, estão vencendo preconceitos e conquistando seu valor como artistas ao embelezarem as ruas de grandes e pequenas cidades com seus traços marcantes e múltiplas cores, que remetem a temas como cidadania, arte, cultura e qualidade de vida, dentre outros. Os grafiteiros são assim. Seu desejo maior é colorir o mundo e expressar seus ideias. Disso, não abrem mão.

Um total de 130 jovens grafiteiros de Fortaleza e Região Metropolitana, além de provenientes dos Estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba e países como Holanda e Japão, se uniram em torno da comunidade Grafite CE e, com o apoio das empresas Diagonal e Rossi, proporcionaram um pouco mais de cor a Fortaleza, a partir do último final de semana. O grupo promoveu o Mega Mural II, com a pintura de parte do muro do antigo Jóquei Clube, numa extensão de mais de 450 metros.

O trabalho foi concluído ontem, oferecendo um visual bonito, colorido e atrativo ao espaço, antes tomado por sujeira e pichações. De acordo com um dos organizadores do evento, o grafiteiro Davi Viana, o "Davi Favela", foram utilizados 1.600 tubos de spray para os grafites, num trabalho intenso em regime de mutirão, que expressou união, talento e criatividade.

"Para pintar o muro com essa extensão se levaria, normalmente, de dois a três meses. Como trabalhamos em mutirão e com grande número de grafiteiros, levamos apenas três dias", disse Davi Favela, orgulhoso com o resultado final. "Ficou tão bonito quanto o Mega Mural I, no muro da UFC, na Avenida Mister Hull", avaliou.

Contudo, Favela não deixou de mencionar o preconceito de muitos segmentos da sociedade em relação aos grafiteiros, que hoje são em torno de 80 em Fortaleza e na Região Metropolitana. Mas, garante: "Estamos vencendo esse desafio aos poucos e mostrando a nossa arte, como nesse trabalho".

A maioria dos grafiteiros são ex-pichadores de muros e outras construções. Eles desistiram das pichações e investiram na arte e nas cores para expressar suas ideias e sentimentos, tornando o lugar onde vivem mais colorido e menos cinzento.

Os grafiteiros estão sempre à procura de espaços abandonados para realizar suas intervenções. Daí, destacarem o apoio recebido para a pintura do muro do Jóquei Clube por parte das empresas Diagonal e Rossi, proprietárias do terreno. "Esse exemplo devia ser seguido por outras empresas e pelo poder público, que entraria com o material e a gente com a nossa arte. Fortaleza ficaria muito mais bonita", comentou Favela.

Outros grafiteiros que contribuíram para Mega Mural II, em Fortaleza, mencionaram a diferença entre grafiteiros e pichadores. "Nós, grafiteiros, fazemos arte e queremos ser compreendidos em nosso traços. Os pichadores priorizam a adrenalina, o desafio e não se preocupam em se fazer entender", explicou o jovem grafiteiro Jefferson dos Santos, de 21 anos, completando: "Nosso trabalho torna o mundo mais colorido".

Depois dos dois desafios vencidos - Mega Mural I e II -, os grafiteiros de Fortaleza e da Região Metropolitana se mostram abertos a novas empreitadas, com o devido apoio. Uma delas é a pintura dos viadutos a serem erguidos do Metrofor.

Levantamento realizado no ano passado pelos grafiteiros apontou que são minoria - apenas 80 - se comparados ao número de pichadores de Fortaleza e região Metropolitana, que chega a oito mil.

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